Em meio a um cenário de crise econômica que afeta milhares de famílias em Rondônia, o Governo do Estado, por meio da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados (Agero), autorizou um novo reajuste na tarifa de água e esgoto da Caerd (Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia).
A decisão, publicada na Resolução nº 82/2025, autoriza um aumento de 4,42% nas tarifas, com efeitos válidos desde 20 de junho de 2025, atingindo todas as faixas de consumo e categorias de usuários: residencial, comercial, industrial e setor público.
De acordo com especialistas, a medida representa mais um golpe ao orçamento das famílias, especialmente em municípios como Ji-Paraná, onde muitos moradores já enfrentam desabastecimento, vazamentos, rede precária e água de baixa qualidade.
Além da tarifa de água, os percentuais sobre o serviço de esgoto foram mantidos em 43% do valor da água para coleta simples e 70% para coleta com tratamento, o que, na prática, pode dobrar o valor final das contas mensais para milhares de consumidores.
A Folha de Ji-Paraná obteve o relato de um vereador do município, que preferiu não ser identificado, mas classificou o reajuste como injustificável diante do cenário social dramático e da ineficiência recorrente da Caerd. "A população está sendo penalizada sem ter retorno em qualidade de serviço", criticou o parlamentar.
O pedido de aumento partiu da própria Caerd, com base nos custos operacionais acumulados entre janeiro de 2023 e abril de 2025, embora nesse mesmo período não tenham sido registradas melhorias significativas no atendimento à população.
A decisão tem respaldo na Lei Federal nº 11.445/2007 e no Convênio de Cooperação nº 001/AGERO/2021, mas especialistas e consumidores denunciam que a medida ignora completamente a realidade das famílias rondonienses, já sobrecarregadas com alta nos preços de alimentos, energia, combustíveis e outros serviços básicos.
"A má gestão está sendo repassada à população como se fosse normal. Em vez de cortar gastos, revisar contratos ou cobrar desempenho da Caerd, o governo escolheu onerar o consumidor. O trabalhador paga mais caro por um serviço que continua falho e longe da universalização", afirmou Rosangela Silva, moradora de Ji-Paraná.
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