Vilhena (RO) – Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraude na oferta de cursos de pós-graduação sem autorização do MEC, que operava em Vilhena e em outras cidades de Rondônia. As instituições envolvidas vendiam diplomas falsos, anunciavam parcerias inexistentes com universidades renomadas e usavam propaganda enganosa para atrair estudantes.
Segundo o MPF, os cursos prometiam diplomas reconhecidos no Brasil e no exterior, com formação em 12 meses, aulas aos fins de semana e mensalidades entre R$ 450 e R$ 500. Ao final, os estudantes ainda eram cobrados entre R$ 9 mil e R$ 11 mil para participar de bancas e receber os certificados — um total que podia ultrapassar R$ 22 mil.
Instituições investigadas
Entre os alvos da investigação estão:
Sete pessoas ligadas às instituições foram processadas e denunciadas criminalmente.
Esquema funcionava desde 2014
O MPF informou que o esquema operou entre 2014 e 2020, montando uma estrutura com aparência legal, mas sem qualquer registro no Ministério da Educação (MEC). Os cursos oferecidos abrangiam áreas como educação, saúde, engenharia e administração.
Para atrair estudantes, os organizadores falsamente anunciavam parcerias com universidades conhecidas, como:
As aulas eram ministradas por professores brasileiros contratados localmente, sem qualquer relação com as universidades citadas.
Estudantes lesados e diplomas sem valor
Vários alunos procuraram o MPF após descobrirem que os diplomas não tinham validade legal. Em alguns casos, documentos falsificados incluíam indevidamente os nomes de instituições como UFMG, UNEB e PUCRS. A UFMG chegou a desmentir um documento falsificado enviado aos alunos após o esquema ser exposto.
As bancas de TCC eram simuladas, realizadas dentro da própria Fasa, com a participação de membros ligados apenas à Umesam/IPE.
MPF pede suspensão das atividades e indenização
Na ação civil pública, o MPF solicita à Justiça:
Denúncia criminal: falsificação e estelionato
Além da ação civil, sete pessoas foram denunciadas criminalmente por crimes como associação criminosa, estelionato e falsificação de documentos públicos. Em um dos episódios, mesmo após o esquema ser revelado, os responsáveis ainda tentaram convencer os alunos da validade dos diplomas, utilizando falsos documentos atribuídos à reitoria da UFMG.
O que dizem os citados?
A Prefeitura de Vilhena esclareceu que a liberação do auditório da Secretaria Municipal de Educação, onde os cursos foram promovidos, foi feita sem conhecimento das irregularidades. Informou ainda que não possui vínculos com os investigados e está colaborando com as investigações.
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