A crise entre frigoríficos brasileiros e a rede de varejo Carrefour ganhou um novo capítulo na última semana, após a JBS interromper o fornecimento de carne à rede. A decisão, tomada na quinta-feira (21), é uma resposta direta ao boicote anunciado pelo CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, que no dia 20 de novembro declarou que o Carrefour não compraria mais carne de países do Mercosul, como forma de apoio à França no debate sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
A Friboi, marca da JBS que fornece cerca de 80% da carne comercializada pelo Carrefour, foi a primeira a suspender as entregas. Logo em seguida, no dia 22, a Masterboi também paralisou o fornecimento de 250 toneladas de carne para a rede francesa. JBS, Marfrig e Masterboi interromperam o fornecimento de carne bovina ao Carrefour, assim como para outras duas lojas do grupo, o Atacadão e o Sam's Club.
O Grupo Carrefour Brasil, por sua vez, negou qualquer alegação de desabastecimento de carne em suas lojas, afirmando que a venda do produto continua normalmente e que nenhuma unidade está sem o item. Em nota, o grupo lamentou a decisão dos frigoríficos e afirmou que está buscando soluções para retomar o abastecimento o mais breve possível.
A retaliação dos frigoríficos é uma resposta ao posicionamento de Bompard, que tem mais de 60% das ações do Carrefour Brasil. O CEO francês se solidarizou com os agricultores da França, que criticam o Mercosul por não seguir as mesmas normas ambientais rigorosas aplicadas na União Europeia, alegando que isso dá aos produtores sul-americanos uma vantagem competitiva injusta.
Em defesa do agronegócio brasileiro, autoridades como o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, se manifestaram publicamente contra a decisão de Bompard e pediram aos frigoríficos que reagissem. Representantes de 44 entidades do setor agropecuário publicaram uma carta aberta de repúdio à posição do CEO, argumentando que a decisão é incoerente com os princípios do livre mercado e sustentabilidade, além de prejudicar a imagem do Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do mundo.
As entidades brasileiras destacaram que a pecuária nacional aumentou a produtividade em 172% nos últimos 30 anos, ao mesmo tempo em que reduziu a área de pastagem em 16%, seguindo legislação ambiental rigorosa. A exclusão das carnes do Mercosul do mercado francês pode, segundo os representantes do setor, aumentar a inflação e as emissões de carbono devido à necessidade de transportar produtos de locais mais distantes e menos eficientes.
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