Concessão da BR-364 em Rondônia promete modernização, mas gera críticas por pedágio elevado, poucas duplicações e impacto direto no custo de vida. Para acompanhar novas atualizações sobre esta notícia e outras ocorrências em Ji-Paraná e região — acesse nosso grupo no WhatsApp.
Ji-Paraná (RO) — A concessão da BR-364 em Rondônia, principal eixo logístico do estado, transformou-se em um dos temas mais controversos da infraestrutura regional em 2025. Sob responsabilidade da empresa Nova 364, o contrato prevê a cobrança de pedágio eletrônico ao longo de 686,7 quilômetros, entre Porto Velho e Vilhena, reacendendo o debate sobre custo-benefício, transparência e impacto econômico para a população Rondoniense.
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Licitação com concorrência mínima levanta questionamentos
O processo licitatório que resultou na concessão da BR-364 chamou atenção pela ausência de competitividade. A Nova 364 venceu um certame no qual foi a única participante, o que, embora legal, acendeu alertas entre especialistas em gestão pública e controle externo. Participe do Grupo no WhatsApp da Folha de Ji-Paraná e receba notícias urgentes, prisões, operações e plantões policiais de Ji-Paraná.
Em concessões semelhantes realizadas em estados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, a disputa costuma envolver diversos grupos econômicos, o que pressiona tarifas para baixo e amplia exigências de investimento. Em Rondônia, a ausência de concorrência reforça dúvidas sobre se o modelo adotado realmente entregou a melhor proposta possível para o interesse público.
Pedágio Eletrônico: Menos empregos e infraestrutura reduzida
O modelo implantado será o pedágio eletrônico free flow, sem praças físicas e sem cabines de cobrança. A tecnologia, vendida como moderna e eficiente, elimina filas, mas também reduz drasticamente a geração de empregos locais, ao contrário do que ocorre em pedágios tradicionais de outros estados.
Além disso, enquanto concessões em corredores logísticos equivalentes oferecem duplicações extensas, bases operacionais robustas, postos médicos e estruturas permanentes de atendimento, em Rondônia o contrato prevê apenas 107,5 km de duplicação, concentrados principalmente nos trechos próximos aos pontos de cobrança.
Quanto o Rondoniense vai pagar
A tarifa definida é de R$ 0,19 por quilômetro rodado. Um motorista que percorra todo o trecho entre Porto Velho e Vilhena poderá pagar cerca de R$ 130 por viagem, apenas em pedágio. Para caminhões, os valores se multiplicam conforme o número de eixos.
Transportadoras que operam em Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena estimam que o custo do frete pode subir entre 40% e 60%, impacto que tende a ser repassado integralmente ao consumidor final, encarecendo alimentos, combustíveis e insumos básicos.
Receita Bilionária versus investimentos no Estado
Com base no fluxo médio diário da BR-364 e nas tarifas previstas, estimativas conservadoras apontam que a Nova 364 pode arrecadar mais de R$ 1 bilhão por ano em pedágios em Rondônia, especialmente com o tráfego intenso de caminhões que abastecem o Acre, o sul do Amazonas e parte do Mato Grosso.
Em contrapartida, a própria concessionária informou investimentos iniciais em torno de R$ 360 milhões, valor considerado baixo quando comparado ao potencial de arrecadação anual. A maior parte das intervenções até agora se concentrou em manutenção básica, sinalização e serviços emergenciais, sem grandes obras estruturais entregues à população.
Comparativo nacional expõe desvantagem para Rondônia
Em rodovias federais concedidas com extensão semelhante em estados do Sudeste e Sul, os contratos geralmente incluem:
Na BR-364 Rondoniense, o modelo prioriza a cobrança por quilômetro rodado, com menor infraestrutura visível e benefícios concentrados no longo prazo, enquanto o custo é imediato para quem depende da rodovia diariamente. Para acompanhar atualizações sobre este e outros casos, acesse nosso grupo no WhatsApp.
Conclusão: Modernização ou custo alto demais?
A concessão da BR-364 marca uma mudança profunda na gestão da principal rodovia de Rondônia. Embora o discurso oficial fale em modernização e segurança viária, os números indicam um desequilíbrio entre o que será cobrado do usuário e o que efetivamente será entregue em obras estruturais.
Para o Rondoniense, especialmente quem vive em cidades como Ji-Paraná, a BR-364 não é apenas uma estrada: é um eixo vital de sobrevivência econômica. O acompanhamento rigoroso do contrato, a fiscalização permanente e a transparência nos investimentos serão decisivos para definir se a concessão representará avanço real ou apenas mais um peso no custo de vida da população.
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